Quando a vida escapa

Toda pessoa se encontra diante de um desafio: não deixar-se perder na vida. A luta é por manter, até onde for possível, o controle da própria existência.

Não que possamos determinar tudo o que acontece conosco, mas, minimamente, somos capazes de dirigir-se em uma direção determinada, ainda que, algumas vezes, seja preciso retomar a rota.

Claro que existe o imponderável e contra ele não há prevenção. De qualquer forma, fora do que foge ao nosso controle, há um espaço razoavelmente largo onde é possível determinar o caminho que tomaremos.

Digo isso porque veja muitas pessoas que alcançam o último estágio de suas vidas, quando deveriam estar em paz e certos de terem construído algo, totalmente alquebrados, perdidos, com pendências diversas e ainda lutando, como se fossem jovenzinhos, por questões básicas.

Não tenho quase nenhum medo na minha vida, mas essa visão da velhice, confesso, me assusta.

Quando vejo um senhor, que já deveria estar gozando de um tanto de paz, esbaforido na busca do pão cotidiano, oprimido pelo peso dos insucessos e já sem qualquer esperança de ter sua situação transformada, isso corta o meu coração.

Um grande desafio é, portanto, não deixar a vida escapar pelos nossos dedos. Como fazer isso não é um segredo, mas passa, certamente, por exercícios diários de reflexão, decisão e cultivo do espírito.

Alguns conseguem e estes, de alguma maneira, se tornam mais felizes.

 

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A adaptação do sonho em uma carreira útil

O jovem costuma imaginar sua vida como se houvesse um caminho aberto, aguardando ele trilhá-lo, até a conquista de seus maiores sonhos. O sucesso parece-lhe apenas uma questão de planejamento e tempo. Passados os anos, porém, o peso da realidade costuma conduzi-lo a uma resignação fria, fazendo com que a esperança se transforme em conformismo, sem qualquer pretensão, senão a conquista do necessário para uma existência confortável.

O ideal seria, porém, que, em vez de acomodar-se em uma vida inútil, a decepção com a impossibilidade das altas conquistas o fizesse adaptar o que era quimera em algo factível. O que antes era um devaneio egocêntrico deveria transformar-se na convicção de completar uma carreira que apresentasse ao mundo, pelo menos, a tentativa de entregar uma boa obra, que fosse, e que representasse algo que estivesse além do mero desejo de satisfazer suas próprias vontades.

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Identificação com a atividade profissional

Trabalhador felizDecidi não exercer profissionalmente atividade alguma pela qual eu apenas obtivesse dinheiro, ainda que não houvesse nenhuma identificação com ela. Resolvi arriscar e tentar manter-me com algo que eu fizesse por convicção e me desse rendimentos financeiros como consequência.

Não é uma decisão fácil. Pelo contrário, haveria diversas outras opções que certamente me seriam mais rentáveis. Há trabalhos que estou capacitado a fazer que me dariam um retorno financeiro mais rápido e maior do que o que eu tenho hoje em dia.

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A luta pela sobrevivência do pequeno empreendedor

O sistema econômico brasileiro direcionado para o pequeno empreendedor é sufocante. Nele, há apenas duas alternativas e ambas tendem a tornar seu negócio inviável.

A primeira delas é a formalização plena da empresa, que acaba inserindo esse empreendedor em um sistema kafkiano de burocracia e exigências incompreensíveis por parte do Estado, que acabam fazendo com que a possibilidade da auferição de algum lucro se torne quase impossível.

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A importância de nossas decisões

img_1528Quando somos os responsáveis por nossa vida profissional, assumimos os riscos de todas as nossas decisões. Isto, por um lado, dá um certo medo, pois parece que o destino nos pertence e nem sempre temos a certeza de que somos capazes de defini-lo. Por outro lado, é isso que dá sentido para a vida, trazendo aquela sensação de que realmente estamos vivendo a nossa existência e não algo imposto desde fora.
A única questão, porém, que deve ser relevada é que, de uma maneira ou de outra, nós não podemos no enganar achando que temos em nossas mãos a definição de tudo o que irá acontecer conosco. Sermos responsáveis pelas decisões não significa, nem de longe, que temos o fim de tudo sob nosso controle.

Na verdade, vamos aprender que boa parte do que acontece, dos rumos que nossa vida toma, são o resultado de detalhes que surgiram independente da nossa vontade e do nosso poder e que o mais importante é estar aberto para aceitar o que a ventura nos proporciona.

 

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O paradoxo do excesso de opções

muitas-opcoesAs pessoas acreditam que diante de uma infinidade de opções terão mais chances de escolher melhor o caminho que desejam seguir. Preferem ter diante de si diversas oportunidades de escolha, crendo que assim poderão, no momento que bem entenderem, decidir pelo que acharem melhor.

No entanto, a realidade não parece coadunar com essa percepção que aparentemente se apresenta tão óbvia. O que ocorre, na realidade, é que esse excesso de opções, em vez de facilitar a escolha, acaba dificultando-a.

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Quanto vale um trabalho

precoTodo aquele que ingressa no mercado oferecendo seus próprios serviços se depara com um problema, que é a fixação de um preço para o que faz. Isso porque, apesar de haverem outras pessoas que exercem atividades semelhantes, o que cada um produz é único e não pode ser medido somente pela comparação.

O próprio mercado não determina um preço único para o serviço, mas o fixa de acordo com diversos fatores, sendo muitos deles subjetivos. Enquanto para um se dispõe a pagar mais, para outro semelhante aceita dispender valores mais modestos. Isso mostra que, diferente da percepção de muita gente, não é possível determinar o valor de um produto ou serviço somente conforme o trabalho material executado. O esforço dedicado a algo informa apenas uma parte do quanto vale o serviço. Há, de fato, diversos outros elementos que influenciam o quanto vai ser pago por algo.

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O efeito Uber no mercado de transporte paulistano

uber-taxiQuando eu defendo a liberdade para aqueles que atuam no comércio, com o mínimo de regulação possível e deixando, o máximo que der, os próprios consumidores decidirem o que é bom e o que deve ser descartado, não faço isso por qualquer questão ideológica. Apenas tenho a convicção que essa é a melhor forma de se conseguir com que os serviços sejam melhores e os preços menores.

Mais uma vez a realidade tem mostrado que é isso mesmo que acontece, quando se permite que empresas atuem com liberdade, fomentando assim a concorrência.

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Dom divino por nada

acorrentadoO que há de mais precioso na vida de uma pessoa é sua liberdade. Ser o responsável por sua própria vida e definir o próprio destino é um dom divino. É isto que dá sentido para a existência do indivíduo e é isto que reflete sua imagem e semelhança com o Criador.

No entanto, nos tempos modernos, boa parte das pessoas não exita em trocar a graça da liberdade por um prato de lentilhas. Em troca da proteção estatal e do recebimento de privilégios, abre mão de ser o dono de seus próprios bens maiores. Prefere colocar-se sob a mão forte do Estado, em troca do que acredita ser garantias de segurança, paz e prosperidade.

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Nosso futuro é de abundância

Quando as pessoas pensam no futuro, não é difícil imaginarem um mundo pós-apocalíptico, onde os recursos naturais estarão escassos e as dificuldades por causa da superpopulação evidentes. Profetas do terror, ambientalistas e socialistas do presente têm levado muitas pessoas a um estado de histeria, fazendo com que elas fiquem desesperadas com o fim próximo da vida abundante como estamos experimentando hoje.

Este é o tom dado pela maioria dos pensadores da atualidade. Entretanto, dois deles, pelo menos, estão convencidos de que o rumo das coisas é bastante diferente dessa tragédia anunciada pelos intelectuais e cientistas do nosso tempo.

Em seu livro, Abundância, Peter H. Diamandis e Steven Kotler defendem uma idéia que sai do lugar comum do pessimismo reinante e afirmam que não temos muito com que nos preocupar quanto ao gerenciamento dos recursos e dos bens no futuro. E a fonte da convicção deles é bem objetiva: com o desenvolvimento da tecnologia, aquelas dificuldades que hoje parecem insuperáveis, serão vencidas e, com isso, aproveitaremos os recursos disponíveis de tal maneira, que os problemas de hoje parecerão ridículos para quem experimentar tais conquistas

E, para começar a ver que o que eles dizem não é nenhuma sandice, basta observarmos a nossa experiência atual. Hoje, usos triviais de nossa vida cotidiana, sem os quais já nem imaginamos viver, como os meios de transporte e de comunicação, eram impensáveis há pouco tempo. Agora, usamos desses meios como se sempre estivessem ali e as dificuldades superadas por eles, de fato, parece até que jamais existiram. No entanto, para as pessoas de tempos atrás, imaginar que essas conquistas pudessem ocorrer era imprivável.

Quem imaginaria, por exemplo, que o mundo chegaria até o número de sete bilhões de habitantes e, ainda assim, capaz de produzir comida suficientes para alimentá-los? Quem imaginaria que seria possível criar meios eficientes de distribuição dessa comida? Todavia, assim é feito, como resultado do desenvolvimento de tecnologias, as quais sequer prestamos mais atenção, mas que não existiam há pouquíssimo tempo

Diamandis e Kotler não têm dúvidas: o desenvolvimento tecnológico encontrará, como tem encontrado até aqui, soluções diante das ameaças de escassez propagandeadas pelos ambientalistas. Energia, água, alimentação e outras demandas serão, de uma maneira ou de outra, supridas pelos desenvolvimentos tecnológicos.

Entre outras, uma das razões exposta por eles para ter a convicção de que a tecnologia suprirá as ameaças de escassez é o que eles chamam de padrão de crescimento exponencial. Explicando de maneira bem sintética, significa que a tecnologia evolui de maneira constante, principalmente por causa do conhecimento acumulativo, e tende a aumentar a velocidade desse crescimento, em muitas vezes, em determinado momento dessa evolução. Os telefones são um perfeito exemplo disso. Por anos, eles foram evoluindo de maneira gradativa, até chegar em um determinado momento que o crescimento tecnológico foi tal, que um ano passou a ser suficiente para tornar o modelo antigo obsoleto.

Só isso, segundo eles, já é suficiente para saber, de maneira segura, que as soluções para o que ainda hoje é considerado problema sejam criadas. Assim, não haveria porque se preocupar demais com as falas dos alarmistas, já que eles apenas consideram o futuro segundo a tecnologia que temos no presente, o que seria um sério erro de avaliação.

E algo bastante interessante em tudo o que o livro traz é a verificação de que tais soluções, invariavelmente, são frutos do empreendimento particular. Seja por pequenos grupos ou mesmo pela ação individual, as grandes criações e descobertas surgem de mãos privadas. Daqueles, que os mesmos ambientalistas e socialistas sempre esperam as resoluções dos problemas, a saber, o Estado e as Corporações, dificilmente surge algo realmente inovador. São as pessoas, em seus interesses mais pessoais, que acabam desenvolvendo o que é preciso para o bem da humanidade

Não sei se todas as previsões dos autores, em todos os seus detalhes, se cumprirão. Na verdade, ninguém sabe. No entanto, uma coisa é certa: todo alarde feito por quem vive do terror social é puro ato político. A sociedade já deu provas, mais que suficientes, que os homens possuem inteligência o bastante para transpor as dificuldades que se impõem. Esta é a mensagem do livro. E ela é uma mensagem de esperança e otimismo, coisas que quem vive da ideologia não possui, definitivamente.

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